Decidi escrever sobre mim de um modo mais íntimo, me expor,
mostrar alguns dos meus lados que podem ser para algumas pessoas, o lado mais
podre de um ser humano. Pura hipocrisia! Estou num momento de grandes mudanças
na minha vida. Mais que isso, to colhendo alguns bons frutos que plantei nos últimos
27 anos.
Minha família é linda e está cada vez mais reunida. Eu não
gosto de programas em família. Eu sou “matuto”, gosto de ficar sozinho e sou
avesso a carinho familiar. A retribuição do carinho muitas vezes é ensaiada e
roteirizada, e quando improviso alguma gracinha, pronto, viro a sensação da
reunião familiar. Só consigo ser essencialmente humano e sensível com as
crianças. Apesar de toda a frieza, sinto uma paz enorme no meu coração em ver
toda a minha família junta. Vai entender!
Trabalho: alguns anos atrás eu pensaria nesse momento como
um vértice de crescimento que mais na frente culminaria numa queda, pois “seria
normal ter altos e baixos”. Sim, é normal em todas as áreas da vida, mas no
profissional, esse movimento de altos e baixos tem muito mais a ver com o
estado de espírito com que a pessoa encara a rotina, do que com o desempenho na
profissão. O normal é crescer na sua área de atuação, receber mais, ganhar
status no mercado, acumular responsabilidades... Isso são frutos que se colhem
ao longo do tempo. Chegou o tempo de colheita. Mas, para não passar fome,
precisamos sempre estar plantando, e eu estou fazendo isso, pois me tornei um
excelente agricultor. Domino a técnica e desenvolvi a prática.
Depois de mais de doze anos cercado pela mesma vizinhança,
estamos mudando para novos ares. Não tenho casa própria ainda, e nem cedo para
a pressão geral (geral mesmo!) da obrigação de ter uma casa própria – esse é o
maior sonho de qualquer pessoa, menos o meu, que ainda valorizo muito mais o
fato de simplesmente ter um teto para me proteger da chuva. Mas do que
simplesmente renovar os ares, a mudança tem um gosto especial pra mim: não
gosto do lugar onde passei os últimos mais de doze anos. As pessoas me olham
dos pés a cabeça diariamente, as pessoas entram na sua casa sem serem
convidadas, as pessoas não tem o menor senso coletivo. Essas mesmas pessoas
repugnantes devem surgir na próxima vizinhança. Mas serão pessoas novas, e eu sou
um adulto novo.
E finalmente, a porra do amor. A pergunta mais freqüente dos
últimos meses, vinda dos meus amigos e dos meus familiares: e o(a) namorado(a)?
Sim, namorado ou namorada por que ainda existe quem insista em fingir que não
faz idéia da minha sexualidade. Está aí, escancarada pra quem quiser “descobrir”.
Minha resposta (ensaiada, claro!) é a mesma: to mais focado no trabalho e nos
estudos. Eu não sou muito de ligar pra romance, mas essa freqüente pergunta me
deixa péssimo, por que deixa bem claro o quão fracassado eu sou nesse quesito. Daí
eu decido perguntar por quê ninguém quer me “assumir”? Pausa: “ninguém” pois
tem muitos alguém, e nenhum me quer pra ser o único, e olha que muitos
dos alguém duram mais que alguns relacionamentos que eu tive – esse tópico
merece um texto único em breve. Voltando ao assunto, descobri que minha
reputação não me ajuda muito. Definitivamente eu não sou pra casar, e nem
serei. Vou continuar com meus rolos e cuidar de ser rico o mais rápido
possível, por que sendo rico, vão aparecer muitos “pretendentes”.
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